sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Na virada

Abobinável mundo das neves
Onde o coração se deita,
Deita também a mão tísica
Da vida sucinta;
É breve a batida
E o estalar lúdico e louco
Que nos faz viver, ano após ano,
Além de horizontes estranhos,
Borrados e seculares.
[]
Há muito tempo,
Quando o deleite vira delírio,
O mote da vida
Não nos deixa a glosa
E o alívio não chega
E o fato não é consumado.
Na funda escuridão,
Em um mergulho sincero sobre si mesmo,
Observa rente a si o riso louco
Do mundo, ano após ano.
[]
Não fará coisas boas
Nem contará boas histórias,
A virada do ano chega
Com todas as glórias de eternas promessas
Que morrem tão logo nos primeiros minutos -
[]
Instantaneamentes, como o gole de vinho.
[]
por Mal de Drosófila

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Farsa.

Sua presença se acarreta em mim.
Forçando a precisar de uma mão para me guiar o caminho.
A sua falta me inibe a seguir sozinho.

Voltando a velhos hábitos
Brincando com antigos vícios.
Confinado por décadas, me sinto preso
Desgastando valiosos sentimentos.

Na face turva da nostalgia
Lá no fundo do meu raciocínio
em lugares aonde o medo, esperança, coragem e verdade
se convergem na imensa bola de neve.
E a única coisa que se vê
são seus olhos puros a brilhar na escuridão.

Sempre, mesmo sem destino
é entre a realidade e a fantasia que estou.
Reerguendo-me, vendo minha fronte sem reflexo ao espelho.
É como em um estado infantil, re-formando a tal da consciência.

Procurei no tempo as respostas
ou ao menos o consolo para as desventuras em série.
Mas sempre que me perco
que me embriago em pensamentos
É a sua face que aparece para consolar
as dores do meu gélido coração.

Paulo Manduca Cortizo Vidal.

sábado, 2 de agosto de 2008

Simples resumo.

Marcando passos estreitos
Repassando as falas para simplesmente não se perder em si.
Marcando suas decisões em folhas avulsas
Segurando forte a lagrima que tenta fugir com a nostalgia.
E assim, ficando tão forte, e sem esperar o reconhecimento alheio
vai seguindo um caminho curvo, longo e denso, e mesmo que em momentos tristes
tudo lhe pareça tão só, sempre vai valer a pena depois, e quando sair vitorioso, livre
e ainda mais feliz vai então poder deixar que caia a lagrima já tão seca, tão reprimida, mais estará no seu momento, e hoje devo ser forte, e lutar por minha felicidade porque uma certeza me completa hoje, que é a que ninguém irá lutar por mim, se eu não o fazer primeiro.

Me completando assim, poderei enxergar o papel dos outros em mim.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Por longe.

Indo longe
E indo por tanto tempo
Buscando qual quer maneira ou indicio de lucidez.
Afogando-me em fantasias.

E então será seu frágil olhar que me viciou?
Ou seu singelo sorriso pelo qual me apaixonei?
Talvez foram aqueles simples momentos
que valeram a pena viver.

E deixando a luz do sol entrar
E sentindo a brisa a tocar sem jeito minha face
vejo que existem dias que não se luta contra a nostalgia.

E mesmo que não sobre nada no final
Que os últimos momentos a deriva estejam perto de acabar
Verei em seus olhos a verdade pelo o que lutou.
E a mim restará apenas uma pequena bagagem de historias
e novas intenções pra recomeçar.

Nunca deixarei de ser para todos
Aquele amigo imaginário
Que parece não merecer reconhecimento algum.

E estando assim tão viciado em você
nenhum ato meu terá explicação.

E minha única recompensa dos dias perdidos em você
Será a única capaz de saciar meu coração
Que seria um daqueles seus raros sorrisos sinceros, ocasionalmente destinado a mim.





-Talvez isso descreva bastante o momento vivido por mim hoje, as insatisfaçoes sufocadas, e a minha incapacidade de mudalas, ou de fazer a diferença em alguem.-

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Cantiga de passarinho

Se os pássaros voam, é porque há onde voar,
Hão de ressoar se, logo, à alguém há de cantar.

Voam tão longe se há o pousar, mas
Só não voam, aliás, nem consoam, destoam e esboroam,
Se não há de amar.

Pobres são assim os pássaros, na dor, reconhecem-se,
E aqueles que escapam o dilúvio, surdem e desaparecem no ar,
Sem algum ruído, além do céu -

Surdos como cometas.



Por Mal de Drosófila.

quinta-feira, 29 de maio de 2008

De toda forma.

De toda forma, de todo modo
Sem explicação, sem nenhuma excitação
Complexos de perfeição.

A semente que se planta ao véu
Desbotada, sem esperança.
Não voltara a brotar no próximo outono.
Pelo seu desprezo fulminante.

O recomeço
A luta continua da forma
cega em espiral.
Cuja o lema
Produzido, Redigido
e Contraído a si mesmo
De uma forma
deliberadamente viva diz.:

“Ter o golpe retardado por minha fé
e escapar do fulmino momento de dor
é apenas parte das expiações marcadas em meu espírito.”

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Paradas de Marfim

Hoje o que resta da essência de nos?
Reações complexas de mais para existirem.
A imagem a persistir sem rumo em uma mente enferma.

E o resto da consciência perdida?
O que te sustenta aqui?
E as respostas são vagas o suficiente
Para não existir.

Tudo o que você se aparenta ser
É apenas o meu simples reflexo em Você.
Nada ao incontestável.

Vou assim forjando com minhas próprias mãos
As armas do ultimo confronto.

E sobre a luz das cores perdidas da aurora
Vou me retratando nos mais complexos personagens.
O drama pessoal com qual se pode conviver.

Retratos escuros na estante de marfim.
Telas pintadas de egoísmo, de dor, de Sangue Inocente.
Ai estão os sacrifícios cometidos
Expostos em mais uma parede seca e desbotada.

Qual será a diversão
De não ver a ultima estrela cair do céu?
De não ver as metáforas contestáveis
Se tornando reais.

Nenhuma ao meu ver.

Apenas o Reflexo desta mesma mente enferma.